Comenda Zumbi dos Palmares resgata história dos afrodescendentes
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“Viemos de um processo rico sob o ponto de vista da contribuição que os negros deram ao País, uma das raças responsáveis por toda a beleza física e cultural da nossa ancestralidade”, constatou o vereador Paulão. Ele lembrou que a comenda, instituída no dia 12 de dezembro de 2007, é uma forma de homenagear não só Zumbi, um referencial na vida do povo brasileiro, mas outros tantos guerreiros e guerreiras. Assim como ele, existem figuras importantes como Machado de Assis, Chica da Silva, Castro Alves e Anita Garibaldi.
De acordo com Paulão, a homenagem tem o objetivo de valorizar a resistência dos negros. “O Brasil vive um processo de luta e de promoção de igualdade racial. O preconceito é maior em relação aos negros e negras, que até 1965 não podiam votar. Mas, atualmente, em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, é feriado em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra”, acrescentou.
“A iniciativa só poderia partir de um vereador comprometido com a causa”, afirmou o presidente do Conselho Estadual de Participação e Integração da Comunidade Negra de Minas Gerais, Williman Stefani. “Enaltecemos tantos heróis e, às vezes, nos esquecemos de Zumbi”, disse.
“Vinte de novembro é uma data de reflexão, para que todos possam entender as causas das reivindicações dos negros e, acima de tudo, que essa luta não é contra os brancos, mas contra as injustiças e a exclusão”, assegurou Stefani. Ele lembrou que apesar de ainda não ser feriado em Belo Horizonte, a comenda é um avanço por reconhecer a importância da etnia para a cultura nacional.
O feriado foi instituído em 267 de um total de 5.561 municípios do País, segundo levantamento da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Em Minas Gerais é feriado em dois municípios: Montes Claros e Itapecerica.
A história de Zumbi
Zumbi foi um dos líderes do Quilombo dos Palmares, o mais conhecido núcleo de resistência negra à escravidão no País. Ele nasceu livre, em Palmares, provavelmente em 1655. Na infância foi raptado por soldados portugueses e entregue ao padre Antônio Melo, de Porto Calvo (AL), que o batizou de Francisco, ensinando-lhe português e latim. Aos 15 anos fugiu e retornou a Palmares, onde adotou o nome de Zumbi. Aos 20, destacou-se na luta contra os militares comandados por Manuel Lopes, ferindo-se durante um dos combates.
Em 1678, o governador de Pernambuco, Pedro de Almeida, ofereceu anistia e liberdade aos quilombolas. Ganga Zamba, então líder de Palmares, concordou com a trégua. Zumbi posicionou-se contra a proposta, que favorecia a continuidade da escravidão, e foi aclamado o novo líder do quilombo pelos que eram contra o acordo. Desde então, tornou-se símbolo de resistência.
Palmares foi derrotado somente em 1694, quando os portugueses invadiram a Aldeia do Macaco, o principal núcleo quilombola. Ferido, Zumbi fugiu e, escondido na mata, resistiu por mais de um ano, atacando aldeias portuguesas. No dia 2 de novembro de 1695, traído por um antigo companheiro, foi localizado pelas tropas inimigas.
Preso, Zumbi foi assassinado e esquartejado. Sua cabeça, levada a Olinda (PE), foi exposta publicamente para acabar com boatos entre os negros escravizados no Brasil de que o líder quilombola seria imortal.
Informações no gabinete do vereador Paulo Augusto dos Santos ‘Paulão’ (3555-1192/1193).
Data publicação:
quinta-feira, 3 Janeiro, 2008 - 22:00