Impactos sociais e culturais do Carnaval de BH em pauta na terça-feira (23)
A Comissão de Direitos Humanos, Habitação, Igualdade Racial e Defesa do Consumidor da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) reunirá gestores municipais de cultura e turismo e representantes de blocos carnavalescos da capital na terça-feira (23/6), às 10h, para avaliar e discutir os impactos sociais, culturais e econômicos do Carnaval de BH. Números oficiais apontam que a festa atraiu mais de 6,5 milhões de foliões e movimentou cerca de R$ 1,4 bilhão na economia local. A pauta do debate, requerido pela vereadora Juhlia Santos (Psol), inclui ainda os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras da cultura e as políticas de continuidade e fomento do evento adotadas e previstas pelo Município. Aberto ao público, o encontro pode ser acompanhado presencialmente no Plenário Helvécio Arantes ou por meio de transmissão ao vivo, no portal ou canal de Youtube da Câmara.
Reconhecimento e valorização
Em 2026, o Carnaval de BH alcançou recordes históricos de público e ocupação hoteleira. Nos 23 dias de programação, desfiles de escolas de samba e blocos caricatos, palcos com artistas locais e convidados, e 457 blocos de rua atraíram 6,5 milhões de pessoas - quase 400 mil provenientes de outras cidades. A movimentação financeira foi estimada em R$ 1,4 bilhão, segundo números oficiais.
O valor histórico e cultural dos blocos caricatos de Belo Horizonte foi oficialmente declarado em 2025 pela Lei 11.815, que instituiu programa de proteção, incentivo e valorização dessa tradição. No mesmo ano, a Lei 11.830, também de iniciativa parlamentar, reconheceu as escolas de samba, os blocos caricatos e os blocos de rua como manifestações culturais identitárias do município, e como manifestação cultural toda atividade carnavalesca espontânea que ocorrer nos bairros e logradouros públicos. Ambas as legislações preveem a prestação de apoio, salvaguarda e fomento dessas atividades por parte do poder público, com facilitação do acesso aos mecanismos de patrocínio, com vistas a garantir a sustentabilidade de trabalhadores e artistas envolvidos, e seu papel no desenvolvimento da economia criativa e do turismo na capital mineira.
Financiamento público
De acordo com nota técnica assinada pela consultora legislativa em educação e cultura Dagmar Martins, produzida a requerimento da autora da audiência, o fomento público ao Carnaval de BH “constitui instrumento de valorização das manifestações culturais carnavalescas e de fortalecimento da cadeia produtiva vinculada ao evento”. As políticas de apoio envolvem repasses financeiros às agremiações, editais de auxílio, infraestrutura urbana, serviços públicos e ações de organização da festa.
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) destinou aproximadamente R$ 3,78 milhões às agremiações carnavalescas, distribuídos entre escolas de samba e blocos caricatos. Dos mais de 450 blocos de rua cadastrados para a folia, 105 receberam recursos concedidos pela Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur). Ao todo, a administração municipal aplicou R$ 3,2 milhões nesses blocos. A nota técnica destaca também que o Governo de Minas investiu aproximadamente R$ 26,5 milhões para ações do carnaval em todo o estado.
Em 2025, a prefeitura lançou um edital de patrocínio com diferentes modalidades de apresentação, para permitir a associação de marcas privadas ao evento. Apesar de o edital contar com cotas de até R$ 10 milhões, só houve interessados para a categoria “colaboração”. Foram celebrados três contratos de R$ 500 mil cada um.
Convidados
Para o debate da próxima terça, foram convidados o prefeito de BH, Álvaro Damião; a secretária municipal de Cultura e vereadora afastada, Cida Falabella; e o presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel. Representantes do projeto de reciclagem Reciclabelô, da Liga dos Blocos e dos blocos carnavalescos Corte Devassa, Seu Vizinho, Abalocaxi, Me Beija e Então Brilha também foram chamados.
Superintendência de Comunicação Institucional