FALTA DE DIÁLOGO

Audiência discute propostas da PBH para a educação de jovens e adultos

Separação de alunos por faixa etária e aumento de estudantes por turma desagrada professores e alunos

quinta-feira, 4 Dezembro, 2014 - 00:00
Audiência discute propostas da PBH para a educação de jovens e adultos - Foto: Eduardo Profeta / CMBH

Audiência discute propostas da PBH para a educação de jovens e adultos - Foto: Eduardo Profeta / CMBH

Mudanças propostas pela Prefeitura em portaria na Educação de Jovens e Adultos (EJA), como o aumento de alunos por turma, docência única e separação de estudantes conforme faixa etária, estão preocupando professores e alunos. O assunto foi tema de audiência pública da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo na última quarta-feira (3/12) à noite na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

A Portaria no 317/2014 da Secretaria Municipal de Educação propõe a criação de duas modalidades na EJA: a EJA Juvenil, para jovens entre 15 e 18 anos; e a EJA Múltiplas Idades, para pessoas desta faixa etária e também acima de 18 anos.  A Smed ainda defende a implantação de novas atividades na sexta-feira e que as turmas passem a ter uma média de 35 alunos. Segundo a gerente de Coordenação de Política Pedagógica de Formação, da Secretaria Municipal de Educação, Dagmar Brandão Silva, com as mudanças previstas, a Prefeitura pretende otimizar a educação de jovens e adultos em Belo Horizonte.

Impactos nas escolas

Lucas Felipe dos Santos, 16 anos e aluno da EJA, está apreensivo com as alterações. “A EJA me ajudou a melhorar na escola, a tirar notas boas novamente e acho que ela será boa para o futuro dos jovens”, constatou. Outra aluna do EJA, Terezinha de Fátima Araújo, de 61 anos, iniciou os estudos há pouco tempo e também está preocupada com as mudanças propostas. “Agora que meus filhos estão crescidos e formados, entrei para a EJA, mas não sei o que vai acontecer”, relatou.

Para a professora Wânia Walquiria, encerrar o ano letivo já é bastante complexo, pois, nesse período, são avaliadas todas as atividades realizadas no ano e ações para o ano seguinte. Desta forma, conforme avaliou a professora, as alterações prejudicam todo o planejamento quanto à lotação dos professores, número de alunos e formação de turmas.

“A proposta não é buscar atender melhor, mas sim reduzir custos. A unidocência proposta pela Prefeitura para a EJA é um contrassenso, demonstrando desconhecimento no que se refere à especificidade de cada disciplina”, avaliou Ana Maria Rezende, professora e diretora do SindRede.

Falta de diálogo

Para o vereador Gilson Reis (PT), a alteração proposta, que aumenta o número de alunos, altera a forma de avaliação e reduz o número de aulas, em nenhum momento foi discutida na Câmara Municipal e nas escolas. “Em 2015, acontece a Conferência Municipal de Educação, quando será discutido o Plano Municipal de Educação, e a EJA é um do eixos que estamos colocando como prioridade”, contou. De acordo com Reis, da EJA, serão tiradas metas, que deverão ser cumpridas pelo governo, no que se refere à educação pública no Município.

Conforme informou a coordenadora estadual do Fórum Mineiro da EJA, Analise da Silva, será constituída uma comissão, integrada por membros da Câmara Municipal, Executivo, Ministério Público, SinRede e Fórum Mineiro de Jovens e Adultos, a fim de apresentar, na próxima Conferência Municipal de Educação, a ser realizada em meados de 2015, uma proposta que atenda ao desejo e ao direito de jovens, adultos e idosos da capital.

O vereador Arnaldo Godoy (PT) espera, por sua vez, que a portaria da Smed seja suspensa e que a comissão a ser constituída construa, durante a próxima Conferência Municipal de Educação, uma proposta coletiva para a educação de jovens e adultos, que atenda aos interesses de professores, de alunos e da cidade de Belo Horizonte.

Assista aqui à reunião na íntegra. 

Superintendência de Comunicação Institucional