Revitalização da lagoa será concluída até 2013

O mau cheiro e a poluição da Lagoa da Pampulha têm data certa para acabar, de acordo com cronograma da Prefeitura de Belo Horizonte. Até julho de 2013, o cartão postal da capital mineira deverá passar por obras de revitalização, que têm investimentos que chegam a R$240 milhões. Os trabalhos serão realizados em três etapas: desassoreamento, tratamento de esgoto e melhoria da qualidade da água. Para conhecer os detalhes da tecnologia que a Prefeitura pretende adotar na última etapa da obra, o vereador Sérgio Fernando (PHS) solicitou audiência pública, realizada na manhã de ontem.
Um “chamamento público”, publicado pela Prefeitura no dia 14 de abril, definiu regras e critérios para selecionar empresas interessadas em apresentar propostas para a melhoria da qualidade da água da Lagoa, uma das etapas da grande intervenção prevista. O prazo para as empresas se credenciarem e apontarem soluções termina na próxima sexta-feira (13). A Prefeitura fará a escolha da melhor tecnologia.
Qualidade da água
O vereador Sérgio Fernando criticou o fato de que a água da lagoa, após a revitalização, será qualificada como “classe 3”, imprópria para o contato humano. “Pelo que pesquisamos, o ideal seria atingir a ‘classe dois’ de qualidade. Com o investimento de milhões de reais, a meta poderia ser maior”, argumentou.
O representante da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), Ricardo de Miranda Aroeira, explicou que a proposta apresentada pela PBH é apenas o “primeiro passo” e não o objetivo final. “Em 2013 teremos mudado radicalmente o quadro da Lagoa da Pampulha: não haverá mau cheiro, peixes morrendo ou proliferação de algas. Ainda não será uma piscina, mas, num segundo momento, buscaremos a situação ideal”, afirmou.
O secretário municipal de Governo, Josué Costa Valadão, reforçou que as “metas são progressivas”. Segundo ele, serão investidos 80 milhões no combate ao assoreamento, 120 milhões para o tratamento de esgoto e 40 milhões para recuperar a qualidade da água. Já o representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Weber Coutinho, esclareceu que a “classe três” de qualidade da água permite a pesca e a realização de esportes náuticos.
Participação popular
Ativistas ambientais cobraram maior participação popular na condução do planejamento das obras e defenderam melhorias do termo de referência publicado pela PBH. O coordenador do Projeto Manuelzão, Marcos Vinícius Poliano, teme que a proposta não avance e acredita que a solução dos problemas da Lagoa da Pampulha é mais complexa. “Não adianta só cuidar da lagoa que, na verdade, é uma represa que recebe a carga do entorno. É preciso monitorar todo o conjunto da bacia”, criticou.
O vereador Tarcísio Caixeta (PT) lembrou a degradação da lagoa ao longo dos anos e as ações para conter o processo. Ele elogiou o trabalho conjunto da Copasa e das prefeituras de BH e Contagem, município que concentra 56% dos afluentes que deságuam na lagoa. “Acredito que na Copa do Mundo já teremos um novo patamar de convivência no espelho d’água da Pampulha”, comentou.
A audiência também contou com a presença do representante da Copasa, Eugênio Lima, e da promotora do Ministério Público Estadual, Lílian Marotta.