ATRASO NA ENTREGA

Obras na Praça do Papa devem ser concluídas pela PBH até o final de junho

Reforma já ultrapassou em mais de um ano a previsão original. Problemas com a cerâmica e chuva seriam principais causas do atraso

quarta-feira, 25 Março, 2026 - 17:45
parlamentares e participantes presentes em audiência pública na câmara municipal de bh

Foto: Denis Dias/CMBH

A Praça Governador Israel Pinheiro, mais conhecida como Praça do Papa, está fechada desde o início de 2024 para reformas. O contrato inicial previa que o equipamento seria entregue à população em dezembro do mesmo ano. No entanto, após sucessivas prorrogações do prazo, as obras ainda não foram finalizadas. Em audiência pública realizada pela Comissão de Administração Pública e Segurança Pública, nesta quarta-feira (25/3), para discutir a situação, representante da Prefeitura de Belo Horizonte relatou que a dificuldade em conseguir a cerâmica para o piso foi um dos principais entraves. O volume inesperado de chuvas também tem atrapalhado o ritmo dos trabalhos, segundo o convidado. Uner Augusto (PL), requerente da reunião, questionou os aditivos tanto no prazo quanto no valor do acordo atual, e disse que enviará pedido de informação à Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) para obter mais detalhes. A expectativa é que a praça esteja pronta até o final de junho deste ano. 

Problemas com a cerâmica

Uner Augusto relatou que em janeiro de 2024 foi celebrado um contrato entre o Município e a empresa Cetus Construtora, responsável pela reforma e revitalização da Praça do Papa. O acordo tinha duração de 540 dias, com prazo de realização do trabalho em 360 dias a partir da ordem de emissão de serviços. Entretanto, até o presente momento, as obras não estão concluídas, e já foram feitos seis aditivos ao contrato, tanto de prazo quanto de valor, sendo que o último estabelece a data de entrega para o dia 16 de abril de 2026. O vereador questionou os motivos do atraso.

Em resposta, o arquiteto da Sudecap José Nelson Bahia Siqueira disse que existem "uma série de razões", mas que as principais estão relacionadas à cerâmica. Ele explicou que o desenho do piso é tombado e, portanto, foi preciso buscar uma empresa que produzisse uma cerâmica mais próxima possível da original, e que o material teve de passar pela validação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Todo esse processo, segundo o convidado, causou “um pequeno atraso”.

A empresa escolhida foi a Gail, a mesma que produziu o piso original da praça. Para fazer as novas cerâmicas no modelo que já estava fora de linha, foi preciso reativar um forno antigo, que acabou sofrendo um incêndio um tempo depois, interrompendo a fabricação por um período, conforme contou José Nelson. Somado a isso, após a retomada das atividades, a Gail entrou em concordata e passou a fazer as entregas em quantidades menores.

Todos esses acontecimentos dificultaram o andamento das obras na praça. Apesar disso, o representante da PBH informou que essa situação já foi normalizada e que a última remessa de cerâmicas chega entre o final de março e o início de abril.

Outro complicador apontado pelo representante do Executivo é o alto volume de chuvas neste período. José Nelson afirmou que, atualmente, os trabalhos estão "em ritmo mais lento" porque não é possível realizar as intervenções necessárias enquanto houver chuva, e que isso pode, inclusive, provocar mais atrasos.

Novo aditivo

Sobre a data limite de 16 de abril, o representante da PBH admitiu que não será cumprida, e que um novo aditivo já está em processo de solicitação, expandindo o prazo até o final de junho deste ano. Uner Augusto questionou o custo ao erário com o aumento no tempo da obra, já que existem despesas diárias, como com a vigilância. José Nelson ponderou que muitos dos obstáculos que surgiram e causaram a demora não foram culpa da contratada, mas admitiu alguns erros que geraram retrabalho, cobertos pela própria Cetus. Ele garantiu que o último aditivo trata somente do prazo, sem incluir novos pagamentos. Uner Augusto também perguntou sobre um adicional de mais de R$ 700 mil para “ajustes técnicos”, e disse que vai enviar um pedido de informação à Sudecap para entender melhor a justificativa do acréscimo.

Praça renovada

Uner também pediu detalhes das mudanças que serão trazidas pela revitalização, e se a população receberá, de fato, "um bom equipamento". Segundo esclareceu o representante da prefeitura, a praça inteira será reformada, mantendo-se o projeto original, que é tombado. O arquiteto da Sudecap explicou que a via entre o “cone” e a parte circular será integrada à praça, formando um único espaço. Além disso, será instalado um playground na praça, além de bancos e banheiro autolimpante. O local também contará com equipamentos para atividade física e sistema de irrigação automática.

 “Com certeza, [o cidadão de Belo Horizonte] vai ter um espaço bem melhor, um espaço mais integrado, um local que faz jus ao ponto turístico que é”, garantiu o representante da PBH.

Superintendência de Comunicação Institucional

7ª Reunião Ordinária - Audiência pública para discutir o cronograma de execução e de conclusão das obras de revitalização da Praça do Papa - Comissão de Administração Pública e Segurança Pública