CÂMARA EM FOCO

Rudson Paixão fala de doação de cabelos, fiscalização e violência doméstica

Em entrevista ao videocast, ele conta ainda como anda o trabalho na comissão que analisa os contratos de ônibus da capital

terça-feira, 5 Maio, 2026 - 13:30
O jornalista Alessandro Duarte entrevista o vereador Rudson Paixão no Plenário Amintas de Barros

Foto: Cristina Medeiros/CMBH

Rudson Paixão (Solidariedade) chegou ao Plenário Amintas de Barros para sua participação no videocast Câmara em Foco com o colete que já virou marca registrada de seu mandato. A peça, que ele promove à categoria de “manto”, traz os dizeres “Vereador que fiscaliza”. A frase é uma evolução da usada pelo parlamentar durante toda a campanha para o Legislativo Municipal: “Cidadão que fiscaliza”. Na entrevista, ele lembra como surgiu o slogan. “Eu sempre fui inconformado com o descaso do poder público, principalmente em relação à Região Norte de Belo Horizonte. Aí comecei a fiscalizar o que entendia como irregularidades”, conta. Segundo ele, foi a população que começou a repetir: “chama o Rudson que ele fiscaliza”, ou “fala com aquele 'garoto', que ele é pau para toda obra”. Durante a conversa, o parlamentar falou também, entre outros assuntos, sobre o projeto que garante livre acesso dos vereadores aos locais e documentos dos órgãos públicos municipais; do Projeto de Lei 287/2025, já aprovado em 2º turno, que institui o Programa Municipal de Doação de Cabelos; do trabalho na Comissão de Estudos - Contratos de Ônibus; e de como surgiu a ideia, que acabou transformada em lei, de dedicar uma cota para mulheres vítimas de violência em programas habitacionais do Município.
 
Fiscalização
 
Rudson Paixão garante que tenta transformar o slogan que carrega no peito em ação. Vice-presidente da Comissão de Mobilidade Urbana, ele está entre os vereadores que mais tiveram requerimentos de visitas técnicas aprovadas em 2025. “Essa é a forma de levar o poder público para dentro da comunidade. Você leva atores que estão em diversas pastas da política pública para ver os gargalos da comunidade, para conhecer o 'vespeiro'.” 
 
Ainda sobre esse assunto, ele propôs, juntamente com Pablo Almeida (PL), o PL 291/2025, que garante o livre acesso dos vereadores aos locais e documentos de órgãos públicos municipais. O PL foi bastante questionado, com funcionários públicos afirmando que essa seria uma forma de constrangê-los. “Infelizmente, teve uma parcela ideológica da política, principalmente da esquerda, que falou que nós queríamos ter acesso a prontuários de pacientes ou a documentos que não poderíamos ver. Nada disso. Nosso objetivo é ampliar os poderes de fiscalização do vereador”, diz Rudson. Ele nega que a razão seja meramente usar as visitas para “caçar views em redes sociais”. 
 
“Não queremos fazer desse projeto um modo de caçar likes, de chegar numa UPA ou centro de saúde e ‘dar o louco’, como já vimos em outros estados. Aqui, a gente faz política séria. E queremos ser respeitados como autoridade constituída pelo povo para fiscalizar”, afirma o vereador.
 
Incentivo à doação de cabelos
 
No dia em que o Plenário aprovou o PL 287/2025, que cria o Programa Municipal de Incentivo à Doação de Cabelos para Pessoas em Tratamento de Câncer e Vítimas de Escalpelamento, Rudson Paixão recordou, emocionado, de um caso que envolveu sua esposa. Há mais de dez anos, ela foi acometida por câncer e recebeu uma peruca de doação. No dia da votação, ela compareceu e foi aplaudida pelos colegas presentes. 
 
Para o parlamentar, essa é uma forma de transformar esse ato de bondade em uma política pública, essencial para quem vive esse drama. “Quando a mulher está passando por esse tratamento que, todos sabemos, é muito invasivo, ela fica vulnerável emocionalmente. E se ver no espelho toda cabeluda e depois carequinha mexe muito com ela”, diz. 
 
Cotas para vítimas de violência
 
Rudson Paixão conta que a ideia para o projeto que reserva 5% das vagas dos programas de moradia da Prefeitura de Belo Horizonte para mulheres vítimas de violência, transformada na Lei 11.969/2026, surgiu a partir do pedido de uma amiga, que passava pelo problema e não tinha para onde ir com seus filhos. Ele chama a violência contra as mulheres de pandemia, o que considera inadimissível. “O que tem de 'marmanjo' irresponsável que faz da mulher objeto está demais. Hoje, você vê que a violência doméstica é a porta de entrada para o feminicídio”, acredita. 
 
“Se é o homem que tem a capacidade - e na minha opinião isso nem é homem, é moleque, é vagabundo, não pode relativizar - de agredir uma mulher fisicamente e emocionalmente, aqui é um homem que vai ter um gesto diferente”, afirma. 
 
Ele lembra que muitas mulheres que sofrem agressão acabam continuando sob o mesmo teto de seu "algoz" exatamente por não terem aonde ir. “Ela precisa ficar com o safado, com o vagabundo, muitas vezes com as crianças. Mas agora não será mais assim. E vocês podem contar com nosso empenho para fiscalizar a aplicação dessa lei, que já foi sancionada pelo prefeito”, ressalta. 
 
Transporte público 
 
Rudson considera que a Comissão Especial de Estudos - Contratos de Ônibus vem fazendo um “excelente trabalho” ao reunir informações sobre o acordo que expira em 2028. Segundo ele, a fase de coleta de informações está sendo muito produtiva, apesar da dificuldade em encontrar os proprietários das companhias prestadoras de serviço. “Hoje, parece que a grande maioria das empresas não está preocupada com o conforto do passageiro. Muitas vezes, a impressão é de que estamos entrando numa lata de sardinha”, fala. 
 
O vereador acredita, no entanto, que a fiscalização está melhorando. “Está bom? Não está bom. Está péssimo? Próximo disso. Mas vamos ter esperança que vai melhorar por meio do trabalho. É igual oração. Não adianta o sujeito orar e não fazer nada. A ação precisa estar lado a lado. E nossa comissão é assim”, compara. 
 
Superintendência de Comunicação Institucional
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