ACESSIBILIDADE

Vereadores de BH vão receber identificação na língua de sinais

"Batismo" permitirá que os 41 parlamentares tenham sinais únicos e permanentes que os identifiquem na Língua Brasileira de Sinais (Libras)

quarta-feira, 4 Fevereiro, 2026 - 14:00
pessoas de costas enquanto assistem gravação de vídeo

Foto: Cristina Medeiros/CMBH

O ritual do "batismo de sinais" é uma prática importante na cultura da comunidade surda, e na Câmara Municipal de BH permitirá que cada um dos 41 parlamentares tenha um sinal único e permanente que o identifique na Língua Brasileira de Sinais (Libras), que funcionará como seu nome próprio. Como prática, o sinal não é escolhido pela própria pessoa, mas sim atribuído por outros membros - sempre uma pessoa surda - com base em características como aparência, personalidade e trejeitos. Os batismos dos vereadores estão sendo realizados ao longo desta semana, em uma ação da Câmara de BH construída junto à comunidade surda, contando com a convidada Ivonne Makhoul. Os sinais recebidos pelos vereadores serão apresentados futuramente no Portal e nas redes sociais da Câmara de BH, que já tem mostrado os bastidores da ação. O batismo de sinais dos vereadores marca mais um passo da instituição para garantir a inclusão e o acesso de todos os cidadãos ao Poder Legislativo.

Atualmente, a identificação dos vereadores que ainda não são batizados precisa ser feita pelos intérpretes de Libras por meio da soletração dos nomes (datilologia) durante todos os as reuniões e eventos transmitidos pela Câmara de BH. Porém, além de moroso e pouco prático, o método dificulta a assimilação pela comunidade surda. Nessa perspectiva, o nome-sinal agiliza a tradução, facilita o trabalho das intérpretes e, principalmente, o imediato reconhecimento do parlamentar mencionado. Será também um novo momento de apresentação individual dos vereadores nas redes sociais da CMBH, favorecendo o diálogo com a comunidade surda e ampliando o alcance da  comunicação digital da Casa.

Sessões individuais

Para viabilizar a ação, foi montada uma pequena estrutura no Salão Nobre da Câmara para receber individualmente os parlamentares, em sessões rápidas e informais. A "cerimônia" começa com um bate-papo entre a convidada da comunidade surda, Ivonne Makhoul, e o vereador, traduzido pelas intérpretes da Câmara Valdene Alexandra e Nathália Vieira.

Inspirada na observação das características ou marcas pessoais do interlocutor, a convidada indica um nome-sinal e o parlamentar é ensinado a reproduzi-lo.

Envolvimento coletivo

A iniciativa partiu das intérpretes de Libras e da equipe de redes sociais da Seção de Criação Visual (Secvis) da Câmara de BH, com objetivo de incentivar o acompanhamento e a participação das pessoas surdas nos debates de seu interesse. “Hoje (2/2) foi só o primeiro dia e ainda temos vários dias de gravação pela frente, mas o projeto não começou agora. A produção vem sendo feita desde o ano passado, em muitos meses de planejamento e diálogo", conta a chefe da Seção, Larissa Metzker, que também destacaou o envolvimento de vários setores da Casa, Presidência e parlamentares.

A coordenadora da ação destacou a parceria e orientação de Ivonne Makhoul, membra da comunidade surda indicada pelas tradutoras da Casa, e doutora em Linguistica pela Universidade de Brasília (UnB) e professora de Libras no Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG).

“É importante ressaltar que qualquer ação de impacto precisa do envolvimento coletivo, e isso é o que estamos vivendo aqui. Só assim se avança para que a acessibilidade se torne realidade. Parabenizo e agradeço à equipe que se dispôs a encarar um projeto de fôlego como esse, acreditando que ele é importante e especial”, celebrou Larissa Metzker.

Escuta e diálogo

Clóvis Ribeiro, da Secvis, reforça que a ação integra os esforços do setor para tornar a comunicação da Casa mais inclusiva e que, para concretizá-la, foi percorrido um longo caminho de escuta e diálogo com a comunidade surda. "Tivemos a honra de contar com a Ivonne, pois respeitamos a regra: apenas uma pessoa surda pode dar o sinal a outra", destacou o jornalista.

"Sabemos que este é apenas um passo numa longa jornada rumo à acessibilidade ideal. Porém, é um passo fundamental para trazer visibilidade à causa dentro do ambiente político e mostrar que estamos empenhados em garantir que a informação chegue a todos, sem barreiras", ponderou.

Leis e projetos

O direito de PcD à educação, saúde, cultura, esporte, lazer e trabalho é um esforço permanente da Câmara de BH. Somente nos últimos cinco anos, além da Lei Municipal de Inclusão, que atualizou e consolidou as normas pertinentes, o Legislativo propôs e aprovou outras 12 leis, garantindo acessibilidade em equipamentos e serviços públicos e privados (hospitais, bancos, shoppings, aeroportos), concursos e cargos municipais, bolsas de incentivo ao esporte, atendimento de gestantes e mulheres vítimas de violência e sessões de cinema e teatro, além de promover o ensino, o uso e a valorização da Libras no município. Nove proposições sobre o tema continuam a tramitar em 2026.

Superintendência de Comunicação Institucional