Plenário

Multa por uso de drogas em vias públicas recebe aprovação definitiva

Em 1º turno, projeto sobre restrição de horário para comércio de sucatas foi rejeitado após decreto do Executivo

terça-feira, 12 Maio, 2026 - 18:00
Vereadores reunidos no Plenário da CMBH durante votação

Foto: Letícia Oliveira / CMBH

Com 26 votos favoráveis, 8 votos contrários e 2 abstenções, o Plenário da Câmara Municipal de BH aprovou em 2º turno, nesta terça-feira (12/5), o Projeto de Lei (PL) 155/2025, que institui sanções por porte ou consumo de drogas ilícitas em ruas, avenidas, praças, campos de futebol, entre outros espaços públicos. De autoria de Sargento Jalyson (PL), a proposta estabelece multa de R$ 1,5 mil, que pode ser extinta caso a pessoa aceite se submeter a tratamento para dependência química. Também em pauta, o PL 509/2025, que restringe o horário de funcionamento de espaços que exerçam atividades de reciclagem e comercialização de sucatas, foi rejeitado pelos parlamentares. O líder do governo na Câmara, Bruno Miranda (PDT), argumentou que um recente decreto do prefeito de Belo Horizonte já contempla a proposta. Braulio Lara (Novo), autor do projeto, reafirmou a importância de tornar a iniciativa lei municipalConfira aqui o resultado completo da reunião.

Uso de drogas

Durante a reunião, vereadores favoráveis ao PL 155/2025 defenderam que é uma oportunidade para “devolver os espaços públicos aos cidadãos” e frear a dependência química. Sargento Jalyson disse que o texto tem caráter de prevenção do uso de drogas ilícitas, e também destacou o trecho que trata das multas, afirmando que a pessoa autuada pode ficar isenta da multa caso se submeta a tratamento para dependentes químicos. 

“Se não quiser realizar o tratamento, o valor arrecadado com as multas será revertido para o tratamento dos dependentes químicos e para o combate do uso de drogas na nossa cidade”, disse Sargento Jalyson.  

Já o vereador Pedro Patrus (PT) caracterizou o projeto como “eleitoreiro e preconceituoso”, afirmando que o texto não atua na causa do problema, apenas proíbe. Ele solicitou a interrupção da discussão, conforme prevê o artigo 142 do Regimento Interno da CMBH. No entanto, Jalyson recorreu ao pedido, o qual os vereadores apoiaram, derrubando a solicitação de Patrus.

“Sabemos que esse projeto vai atingir uma juventude negra e periférica da nossa cidade. Os filhos dos ricos vão continuar fumando maconha onde eles quiserem”, afirmou Pedro Patrus.

Aprovado em 2º turno, o texto agora segue para sanção ou veto do prefeito.

Restrição para comércio de sucatas

Também em pauta, o PL 509/2025 foi rejeitado em 1º turno com 8 vereadores votando “sim”, 26 “não” e 1 abstenção. A matéria restringe ao período de 7h01 às 19h o horário de funcionamento de espaços que exerçam atividades de reciclagem e comercialização de sucatas. A determinação prevista no projeto é aplicada a depósitos de material reciclável e estabelecimentos que exerçam atividade de comércio atacadista de papel, de papelão e de sucatas metálicas e não-metálicas, além de recuperação de materiais plásticos, metálicos e sucatas de alumínio.

O autor da proposta, Braulio Lara, disse que o objetivo é reduzir o comércio irregular de materiais furtados, especialmente fios de cobre. “A receptação desses materiais roubados só acontece na calada da noite, na madrugada”, disse. O vereador ainda mencionou um decreto recentemente assinado pelo prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, que regulamenta o horário do funcionamento. No entanto, disse que o projeto foi proposto no ano passado, quando ainda não existia o decreto, e reforçou a importância de sua aprovação

"Na hora que passar a gestão do Damião, entra outro prefeito e vai permitir de novo? Não é possível que iremos retroceder na cidade. É fundamental aprovar essa proposição para que nossa legislação municipal não permita funcionamento de ferro-velho à noite", disse Braulio Lara.

O líder do governo na Câmara, Bruno Miranda (PDT), disse que concorda com as questões levantadas por Braulio Lara, mas encaminhou o voto contrário. O parlamentar afirmou se tratar de uma questão técnica, argumentando que o decreto contempla o que está proposto no projeto de lei. 

“Por isso, o prefeito Álvaro Damião publicou esse decreto que traz exatamente o que o projeto de lei prevê. Isso já está regulamentado. Não há necessidade de lei só para este fim. Isso é medida administrativa que o prefeito já tomou e está funcionando”, afirmou Bruno Miranda. 

Superintendência de Comunicação Institucional

37ª Reunião Ordinária - Plenário