Autor de denúncia contra Lucas Ganem reforça acusação de fraude eleitoral
Advogado afirma que vereador não possuía vínculos com BH. Testemunha de defesa, dono de imóvel no bairro Trevo, falta a pela segunda vez
Foto: Tatiana Francisca/CMBH
A Comissão Processante da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), que apura possível infração político-administrativa do vereador Lucas Ganem (MDB), ouviu, na manhã desta terça-feira (16/6), o advogado Guilherme Augusto Soares, autor da denúncia sobre fraude no domicílio eleitoral. Durante o depoimento, Guilherme reafirmou o pedido de cassação e sustentou que o parlamentar teria declarado vínculo eleitoral inexistente com Belo Horizonte para disputar as eleições de 2024, conduta que violaria o princípio da moralidade administrativa. A outra testemunha prevista, Grijalva de Carvalho Lage Duarte Júnior, não compareceu à reunião nem justificou a ausência. Nesta quarta-feira (17/6) a comissão se reúne às 9h30 para nova oitiva do vereador Lucas Ganem. Encerrada a fase de instrução, o relator Edmar Branco (PCdoB) deverá elaborar o parecer, que será submetido à apreciação do Plenário.
Depoimento do autor da denúncia
Antes de responder aos questionamentos, o advogado Guilherme Augusto Soares prestou compromisso de dizer a verdade, nos termos do artigo 203 do Código de Processo Penal. O relator da comissão questionou se Guilherme mantinha a denúncia após a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que devolveu à Câmara a possibilidade de analisar a acusação relacionada ao domicílio eleitoral de Lucas Ganem.
Em resposta, o advogado afirmou que mantém a denúncia. Segundo ele, é necessário que o Legislativo conheça os fatos e se manifeste institucionalmente sobre a situação.
Acusação de vínculo eleitoral inexistente
Ao ser perguntado sobre o relatório da Polícia Federal, que aponta que o próprio vereador informou ter passado a residir em Belo Horizonte apenas após ser eleito, Guilherme reforçou a acusação de fraude eleitoral. Segundo o denunciante, Ganem declarou residência na capital mineira em fevereiro de 2024, antes do pleito, sem possuir qualquer vínculo efetivo com a cidade. Segundo o advogado, o conceito de domicílio eleitoral recebe uma interpretação mais ampla pelo Tribunal Superior Eleitoral, incluindo vínculos profissionais, sociais e familiares.
“Ele não tinha nenhum vínculo com a cidade de Belo Horizonte. Entendemos que ele mentiu em um documento para pleitear uma vaga na Câmara e acabou conseguindo”, afirmou.
Família Ganem e suposta atuação coordenada
Questionado sobre um contrato de aluguel feito em Belo Horizonte, assinado pela deputada paulista Clarice Ganem (Pode), e se o documento demonstraria que o mandato seria comandado a partir de São Paulo, Guilherme afirmou desconhecer o contrato e disse não saber quando ele foi firmado.
Apesar disso, o advogado considera haver atuação coordenada da família Ganem em diferentes cidades. Segundo ele, a denúncia está baseada em investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.
“Há fortes indícios de atuação da família Ganem com esse modus operandi de usar o sobrenome para familiares ou não concorrerem em pleitos em várias cidades, produzindo candidatos com conteúdos segmentados”, declarou.
Gastos de assessores e base operacional do mandato
Em outro questionamento, Edmar Branco citou relatórios de gastos do cartão-alimentação de assessores do gabinete, que apontaram a utilização da maior parte dos créditos em cidades paulistas durante o segundo semestre de 2025. Perguntado se os documentos reforçariam a tese de que a base operacional do mandato permanece em São Paulo, Guilherme disse não ter analisado os relatórios, mas avaliou que as informações seriam compatíveis com a denúncia.
“Não tive acesso a esses gastos, mas isso corrobora que o núcleo operacional seria baseado em São Paulo. Corrobora mais ainda os assessores estarem lotados em São Paulo e não em Belo Horizonte, que seria o correto”, afirmou.
Ao final, o relator da Comissão Processante informou que o documento mencionado é público e está disponível nos canais institucionais da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
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