COMISSÃO PROCESSANTE

Autor de denúncia contra Lucas Ganem reforça acusação de fraude eleitoral

Advogado afirma que vereador não possuía vínculos com BH. Testemunha de defesa, dono de imóvel no bairro Trevo, falta a pela segunda vez

terça-feira, 16 Junho, 2026 - 12:45
parlamentares e participantes presentes em reunião na câmara municipal de bh

Foto: Tatiana Francisca/CMBH

A Comissão Processante da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), que apura possível infração político-administrativa do vereador Lucas Ganem (MDB), ouviu, na manhã desta terça-feira (16/6), o advogado Guilherme Augusto Soares, autor da denúncia sobre fraude no domicílio eleitoral. Durante o depoimento, Guilherme reafirmou o pedido de cassação e sustentou que o parlamentar teria declarado vínculo eleitoral inexistente com Belo Horizonte para disputar as eleições de 2024, conduta que violaria o princípio da moralidade administrativa. A outra testemunha prevista, Grijalva de Carvalho Lage Duarte Júnior, não compareceu à reunião nem justificou a ausência. Nesta quarta-feira (17/6) a comissão se reúne às 9h30 para nova oitiva do vereador Lucas Ganem. Encerrada a fase de instrução, o relator Edmar Branco (PCdoB) deverá elaborar o parecer, que será submetido à apreciação do Plenário. 

Depoimento do autor da denúncia 

Antes de responder aos questionamentos, o advogado Guilherme Augusto Soares prestou compromisso de dizer a verdade, nos termos do artigo 203 do Código de Processo Penal. O relator da comissão questionou se Guilherme mantinha a denúncia após a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que devolveu à Câmara a possibilidade de analisar a acusação relacionada ao domicílio eleitoral de Lucas Ganem.

Em resposta, o advogado afirmou que mantém a denúncia. Segundo ele, é necessário que o Legislativo conheça os fatos e se manifeste institucionalmente sobre a situação

Acusação de vínculo eleitoral inexistente 

Ao ser perguntado sobre o relatório da Polícia Federal, que aponta que o próprio vereador informou ter passado a residir em Belo Horizonte apenas após ser eleito, Guilherme reforçou a acusação de fraude eleitoral. Segundo o denunciante, Ganem declarou residência na capital mineira em fevereiro de 2024, antes do pleito, sem possuir qualquer vínculo efetivo com a cidade. Segundo o advogado, o conceito de domicílio eleitoral recebe uma interpretação mais ampla pelo Tribunal Superior Eleitoral, incluindo vínculos profissionais, sociais e familiares.

“Ele não tinha nenhum vínculo com a cidade de Belo Horizonte. Entendemos que ele mentiu em um documento para pleitear uma vaga na Câmara e acabou conseguindo”, afirmou.

Família Ganem e suposta atuação coordenada 

Questionado sobre um contrato de aluguel feito em Belo Horizonte, assinado pela deputada paulista Clarice Ganem (Pode), e se o documento demonstraria que o mandato seria comandado a partir de São Paulo, Guilherme afirmou desconhecer o contrato e disse não saber quando ele foi firmado.

Apesar disso, o advogado considera haver atuação coordenada da família Ganem em diferentes cidades. Segundo ele, a denúncia está baseada em investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

“Há fortes indícios de atuação da família Ganem com esse modus operandi de usar o sobrenome para familiares ou não concorrerem em pleitos em várias cidades, produzindo candidatos com conteúdos segmentados”, declarou.

Gastos de assessores e base operacional do mandato 

Em outro questionamento, Edmar Branco citou relatórios de gastos do cartão-alimentação de assessores do gabinete, que apontaram a utilização da maior parte dos créditos em cidades paulistas durante o segundo semestre de 2025. Perguntado se os documentos reforçariam a tese de que a base operacional do mandato permanece em São Paulo, Guilherme disse não ter analisado os relatórios, mas avaliou que as informações seriam compatíveis com a denúncia.

“Não tive acesso a esses gastos, mas isso corrobora que o núcleo operacional seria baseado em São Paulo. Corrobora mais ainda os assessores estarem lotados em São Paulo e não em Belo Horizonte, que seria o correto”, afirmou.

Ao final, o relator da Comissão Processante informou que o documento mencionado é público e está disponível nos canais institucionais da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Superintendência de Comunicação Institucional